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Observando as aves
"A observação
das aves até as primeiras décadas do século XX, permaneceu como
atividade restrita aos naturalistas. A partir dos anos quarenta,
contudo, o público passo a demonstrar maior interesse pelas
ciências naturais, registrando-se, na Europa e nos Estados Unidos
da América do Norte, extraordinário movimento de naturalistas
amadores que, se congregando em associações de observadores
de aves, passaram a dedicar-se seriamente a este tipo de atividade.
Esta forma de lazer,
acessível a pessoas de quaisquer idades, propicia, alem do agradável
e salutar contato com ambientes naturais, a oportunidade de
colaborar com os departamentos de proteção à fauna, indicando-lhes
a localização exata de agrupamentos de animais silvestres e,
até de contribuir, como ocorre na Grã-Bretanha, para o recenseamento
anual de aves selvagens. Nesse país a British Trust of Ornithology,
responsável pelo censo comum das aves, recebe informações de
milhares de observadores voluntários que, através de relatórios
periódicos, noticiam a flutuação populacional das aves em seus
respectivos condados.
Justificativa
A crescente popularidade deste gênero de atividade ao ar livre
se deve, como escreve o naturalista americano Roger Tony Peterson,
ao fato de que as aves simbolizam um grau de liberdade na qual
todos nós ansiamos. Talvez esta seja a razão do "Bird Watching"
ter se transformado em um passatempo nacional na Inglaterra
e esteja se tornando rapidamente em nosso país. Ele constitui
um antídoto para as desilusões do mundo atual, afligido por
pressões nunca antes experimentadas. Inúmeros homens de negócios
ou de profissionais liberais encontram na observação de aves
o necessário equilíbrio à indispensável fuga dos trabalhos complexos
e do artificialismo da vida urbana. As donas de casa utilizam-no
como prazeirosa quebra de rotina doméstica e as crianças se
divertem com pesquisas nas quais podem descarregar suas abundantes
energias. Os meninos na faixa de dez anos constituem os maiores
escrutinadores de aves, pois sentem-se atraídos pela elaboração
de listas completas, desempenhando suas funções com zelo insuperável".
A observação de aves exige de seus praticantes apenas um grande
interesse pela natureza e o dispêndio de pequena soma de pequena
soma de dinheiro, destinada a aquisição de luneta ou binóculo
- instrumentos indispensáveis a quem queira se dedicar com seriedade
a esta modalidade de lazer. É necessário, também, que o naturalista
amador possua regular acuidade visual e auditiva, fator indispensável
à localização, pela vista e pelos ouvidos, dos animais que pretende
examinar. Outra qualidade inerente ao observador de aves é a
paciência para esperar, escondido e imóvel, pelo aparecimento
dos habitantes das áreas onde realiza suas excursões. Com a
prática, serão adquiridas as qualidades que caracterizam os
caçadores, não sendo difícil ao observador a se dissimular no
meio ambiemte, acostumar-se a não fazer gestos bruscos e nem
ruídos desnecessários e a deslocar-se discretamente sem provocar
pânico nos animais a quem pretende-se estabelecer contato.
Todo bicho de pena ou de pelo, teme, por princípio a figura
humana. Quaisquer que sejam as espécies inclusive ferozes, todas
possuem nítida noção de distâncias em que podem deixar o homem
se aproximar, sem que este venha ameaçar sua integridade física.
Estes padrões, estabelecidos pelo instinto animal ou, às vezes,
com experiências de encontros desagradáveis com o ser humano,
são conhecidos como distâncias de fuga variando de uma espécie
para outra.
Existem aves consideradas mansas cujo ponto de fuga é de apenas
alguns metros. Outras mais ariscas, correm ou levantam vôo a
dezenas de metros distantes de quem pretende se aproximar. A
grande maioria, contudo, parece não relacionar com o homem os
veículos utilizados para sua locomoção. Talvez por julgá-los
com novas espécies de animais, de formato e ruídos peculiares,
os representantes da fauna não os temem tanto, como a seus condutores.
Em ambientes onde seja possível o deslocamento de automóveis,
barcos, e veículos de tração animal, a observação de aves se
torna fácil e cômoda, pois seus ponto de fuga se modificam,
ficando grandemente reduzidos.
Há de se levar em conta, entretanto, o ambiente no qual se dá
o encontro com o espécime a examinar. Pássaros que habitam parques
e jardins, estando mais acostumados com a presença humana, permitem
ser observados a pequenas distâncias. As mesmas espécies, se
encontradas em regiões menos despovoadas, tornam-se mais arredias,
ampliando seus pontos de fuga. Nestas circunstâncias, somente
poderá ser tentada se a pessoa, trajando roupas de cores discretas,
ou preferivelmente camufladas, souber iludir a vigilância do
animal.
Como se sabe, as aves possuem capacidade para distinguir cores,
enxergando perfeitamente as tonalidades das figuras que não
pertençam ao conjunto paisagístico ao qual estão estejam habituada.
O observador que pretenda iniciar manobra de envolvimento deverá
evitar, em primeiro lugar, que a silhueta se destaque contra
espaços abertos. Depois fazendo um mínimo de movimentos bruscos
tentará se aproximar, aproveitando, para tanto, os movimentos
de distração da ave, quando ela desviar a atenção de seu vulto
afim de comer, cantar ou alisar suas penas".
Bibliografia : "Aves Brasileiras" (vol 1)
Johan Dalgas Frisch
NOTA: Caso deseje aprofundar-se sobre técnicas de aproximação,
equipamentos necessários para o observador (lunetas e binóculos
adequados e como utilizá-los), como fotografar as aves, filmá-las
e fazer a coletânia dos sons sugerimos começar pela literatura
acima.
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